sábado, 8 de outubro de 2011

A Armadilha


A armadilha
Murilo Rubião

Alexandre Saldanha Ribeiro desprezou o elevador e seguiu pela escada, apesar da volumosa mala que carregava e do número de andares a serem vencidos. Dez.
Não demonstrava pressa, porém o seu rosto denunciava a segurança de uma resolução irrevogável. Já no décimo pavimento, meteu-se por um longo corredor, onde a poeira e detritos emprestavam desagradável aspecto aos ladrilhos. Todas as salas encontravam-se fechadas e delas não escapava qualquer ruído que indicasse presença humana.
Parou diante do último escritório e perdeu algum tempo lendo uma frase, escrita a lápis, na parede. Em seguida passou a mala para a mão esquerda e com a direita experimentou a maçaneta, que custou a girar, como se há muito não fosse utilizada. Mesmo assim não conseguiu franquear a porta, cujo madeiramento empenara. Teve que usar o ombro para forçá-la. E o fez com tamanha violência que ela veio abaixo ruidosamente. Não se impressionou. Estava muito seguro de si para dar importância ao barulho que antecedera a sua entrada numa saleta escura, recendendo a mofo. Percorreu com os olhos os móveis, as paredes. Contrariado, deixou escapar uma praga. Quis voltar ao corredor, a fim de recomeçar a busca, quando deu com um biombo. Afastou-o para o lado e encontrou uma porta semicerrada. Empurrou-a. Ia colocar a mala no chão, mas um terror súbito imobilizou-o: sentado diante de uma mesa empoeirada, um homem de cabelos grisalhos, semblante sereno, apontava-lhe um revólver. Conservando a arma na direção do intruso, ordenou-lhe que não se afastasse.
Também a Alexandre não interessava fugir, porque jamais perderia a oportunidade daquele encontro. A sensação de medo fora passageira e logo substituída por outra mais intensa, ao fitar os olhos do velho. Deles emergia uma penosa tonalidade azul.
Naquela sala tudo respirava bolor, denotava extremo desmazelo, inclusive as esgarçadas roupas do seu solitário ocupante:
Estava à sua espera — disse, com uma voz macia. Alexandre não deu mostras de ter ouvido, fascinado com o olhar do seu interlocutor. Lembrava-lhe a viagem que fizera pelo mar, algumas palavras duras, num vão de escada.
O outro teve que insistir:
Afinal, você veio.
Subtraído bruscamente às recordações, ele fez um esforço violento para não demonstrar espanto:
— Ah, esperava-me? — Não aguardou resposta e prosseguiu exaltado, como se de repente viesse à tona uma irritação antiga: — Impossível! Nunca você poderia calcular que eu chegaria hoje, se acabo de desembarcar e ninguém está informado da minha presença na cidade! Você é um farsante, mau farsante. Certamente aplicou sua velha técnica e pôs espias no meu encalço. De outro modo seria difícil descobrir, pois vivo viajando, mudando de lugar e nome.
Não sabia das suas viagens nem dos seus disfarces.
Então, como fez para adivinhar a data da minha chegada?
Nada adivinhei. Apenas esperava a sua vinda. Há dois anos, nesta cadeira, na mesma posição em que me encontro, aguardava-o certo de que você viria.
Por instantes, calaram-se. Preparavam-se para golpes mais fundos ou para desvendar o jogo em que se empenhavam.
Alexandre pensou em tomar a iniciativa do ataque, convencido de que somente assim poderia desfazer a placidez do adversário. Este, entretanto, percebeu-lhe a intenção e antecipou-se:
— Antes que me dirija outras perguntas — e sei que tem muitas a fazer-me — quero saber o que aconteceu com Ema.
Nada — respondeu, procurando dar à voz um tom despreocupado.
Nada?
Alexandre percebeu a ironia e seus olhos encheram-se de ódio e humilhação. Tentou revidar com um palavrão. Todavia, a firmeza e a tranqüilidade que iam no rosto do outro venceram-no.
— Abandonou-me — deixou escapar, constrangido pela vergonha. E numa tentativa inútil de demonstrar um resto de altivez, acrescentou: — Disso você não sabia!
Um leve clarão passou pelo olhar do homem idoso:
Calculava, porém desejava ter certeza.
Começava a escurecer. Um silêncio pesado separava-os e ambos volveram para certas reminiscências que, mesmo contra a vontade deles, sempre os ligariam.
O velho guardou a arma. Dos seus lábios desaparecera o sorriso irônico que conservara durante todo o diálogo. Acendeu um cigarro e pensou em formular uma pergunta que, depois, ele julgaria, desnecessária. Alexandre impediu que a fizesse.
Gesticulando, nervoso, aproximara-se da mesa:
Seu caduco, não tem medo que eu aproveite a ocasião para matá-lo. Quero ver sua coragem, agora, sem o revólver.
Não, além de desarmado, você não veio aqui para matar-me.
O que está esperando, então?! — gritou Alexandre. — Mate-me logo!
Não posso.
Não pode ou não quer?
Estou impedido de fazê-lo. Para evitar essa tentação, após tão longa espera, descarreguei toda a carga da arma no teto da sala.
Alexandre olhou para cima e viu o forro crivado de balas. Ficou confuso. Aos poucos, refazendo-se da surpresa, abandonou-se ao desespero. Correu para uma das janelas e tentou atirar-se através dela. Não a atravessou. Bateu com a cabeça numa fina malha metálica e caiu desmaiado no chão.
Ao levantar-se, viu que o velho acabara de fechar a porta e, por baixo dela, iria jogar a chave.
Lançou-se na direção dele, disposto a impedi-lo. Era tarde. O outro já concluíra seu intento e divertia-se com o pânico que se apossara do adversário:
Eu esperava que você tentaria o suicídio e tomei precaução de colocar telas de aço nas janelas.
A fúria de Alexandre chegara ao auge:
Arrombarei a porta. Jamais me prenderão aqui!
Inútil. Se tivesse reparado nela, saberia que também é de aço. Troquei a antiga por esta.
— Gritarei, berrarei!
Não lhe acudirão. Ninguém mais vem a este prédio. Despedi os empregados, despejei os inquilinos.
E concluiu, a voz baixa, como se falasse apenas para si mesmo:
Aqui ficaremos: um ano, dez, cem ou mil anos.




O texto acima foi extraído do livro "Para Gostar de Ler — Vol. 9 — Contos", Editora Ática — São Paulo, 1984, pág. 17.


Murilo Eugênio Rubião,Nasceu em Minas Gerais em 1916. Escritor, advogado e jornalista, foi um dos grandes autores brasileiros de contos fantásticos, já foi traduzido para diversas línguas. Sua literatura  é mais enigmática, simbólica, cheia de suspense e fatos inverossímeis.Faleceu em 1991.
Apresentar Murilo Rubião aos neoleitores é levá-los  ao mundo fantástico!






Projeto Reinações de Narizinho


PROJETO INTERDISCIPLINAR DE LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO/ ARTE


TEMA: Reinações de Narizinho de Monteiro Lobato.

LOCAL: Sala de Leitura/Sala de aula
Professores responsáveis: Maria Ribeiro Melquides
Séries: 5ªsérie/6ºano A; B; C.
Duração: Um Bimestre.


Objetivos Gerais:

1.Possibilitar o contato dos alunos com a leitura;
2.Promover o uso da Sala de Leitura e o manuseio direto com os livros;
3.Desenvolver as habilidades de leitura, reescrita e o uso da arte na compreensão das histórias lidas.
4.Mostra de Trabalhos desenvolvidos pelos alunos.


Justificativa:

Inserir a leitura na vida escolar do aluno é imprescindível, assim como estimular o gosto pela leitura, ampliando o repertório de textos lidos, a sua compreensão por meio de reescrita e trabalhos manuais como desenho e pintura , trabalhando também a coordenação motora.
A escolha do Autor Monteiro Lobato para este projeto é de suma importância, pois com a Obra Sítio do Pica-pau Amarelo, o autor resgatou a infância com personagens, lendas e costumes tipicamente brasileiros.



Objetivos:

1.Conhecer vida e a obra de Monteiro Lobato por meio de pesquisas;
2.Ler o livro Reinações de Narizinho I;
3.Escolher um personagem do livro e falar sobre o mesmo;
4.Reescrever a história do livro que mais gostou;
5.Desenhar e pintar personagens do Sítio nas aulas de Arte.


Recursos:


1.Uso da Sala de Leitura;
2.Uso da Sala de aula;
3.Livro Reinações de Narizinho I;
4.Papel sulfite, cartolina, lápis preto, lápis de cor, canetinha, borracha, tesoura e cola.


Orientações didáticas:

O projeto será desenvolvido na sala de aula e na Sala de Leitura pela professora da disciplinas de Leitura e Produção de texto no horário habitual de aula, sob a orientação da mesma.



Aulas de Leitura e Produção de Texto:


1.Conhecer o autor Monteiro Lobato;
2.Leitura do livro pela professora;
3.Leitura do livro pelos alunos ( em voz baixa);
4.Leitura do livro pelos alunos ( em voz alta);
5.Buscar os significados das palavras não compreendidas no dicionário;
6.Escolher um personagem da história Reinações de Narizinho I que mais gostou e falar sobre o mesmo;
7.Reescrever sobre o personagem escolhido, observando as regras gramaticais;
8.Fazer uma ficha com o personagem escolhido e ilustrar o mesmo;
9.Avaliação sobre o texto lido;
10.Mostra dos trabalhos realizados na sala de aula e na Sala de Leitura.

Aulas de arte:
01. Escolher os personagens que representarão o livro Reinações de Narizinho;
02. Desenhar os personagens;
03. Pintar;
04. Montar os personagens.
05. Exposição dos trabalhos realizados em sala de aula.



O Projeto foi realizado no segundo bimestre de 2010.
Autora do Projeto: Maria Ribeiro Melquides
Professora de Língua Portuguesa e Leitura e Produção de Texto




BOA LEITURA!

















HAICAI

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Cerimonial desportivo


Ontem, dia 05 de outubro,foi o último dia do curso Cerimonial Desportivo, com o Professor Juan Ángel Gato. Amei! Logo, logo, postarei fotos do evento e algumas explicações sobre Protocolo e Cerimonial. Aguardem!

Café com pão

Manuel bandeira
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu presciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...


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